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sábado, 24 de abril de 2010

The sky is broken


“É tão natural destruir o que não se pode possuir, negar o que não se compreende, insultar o que se inveja “


Honoré de Balzac


Os actos ficam com quem os pratica. Há quem não saiba arrumar os sentimentos, as frustrações e a hipocrisia, naquele cantinho do sótão da consciência.
Não podemos agradar a Gregos e Troianos.
Como alguém me disse, até Cristo não agradou a todos. Não vejo porque o que escreva deva contentar todos os que aqui entram. Alguns podem identificar-se outros nem tanto.
Apenas gosto de escrever o que sinto, o que vejo, o que vivo no turbilhão da minha existência.
Devemos tentar extrair o bom do mau que o mau sempre contém. Por vezes existem passos que soam sem se ouvirem, ecoam num espaço infinito. Algures banido, ser anónimo, de coração disperso, fadiga e fome de nada. Vê-se a sombra, sente-se a forma, mas a alma é algo distante. Pois esse claustro em que te encerras é uma máscara que fere, fere o mundo, fere-te a ti, num eterno anonimato que te deixa desfeito num corpo por desfazer.
Transcrevo agora algumas palavras aqui largadas quando encerrei os meus blogues. Fazem sentido hoje no dia da abertura.
Não deixarei de realizar algo que me presenteia, por atitudes opacas e hipócritas, não será certamente a melhor opção.
É sobre a penumbra da minha sombra que a paisagem segura o horizonte cansado das minhas mágoas.
É na miragem do meu ténue corpo que mergulho toda a minha angústia.
É nas águas límpidas do meu coração que eu recordo os meus tristes sorrisos como crianças que em plena imaginação agarram o arco-íris.
É um prazer poder ter aqui pessoas que me merecem toda a consideração e é por elas que volto mais forte que nunca. Deixemos que os cães ladrem, porque a caravana irá sempre passar.
Nem que seja apenas para mim, que o sonho perdure eternamente.

●●●

Existem silêncios, que depois de magoarem tanto, nos tornam mais fortes, tal como amantes, que roubam beijos às escondidas e se devoram como se fosse sempre a última vez.
Existem silêncios, que depois de ferir tanto, nos ensinam o caminho do amanhã.
A vida voltou a pontapear-me fortemente, tão forte que só parei muito longe caído num pensamento.
Expulso do aconchego dos lençóis pelas contracções da madrugada, o meu despertar assemelha-se quase a um parto.
Incomoda-me a luz, e até o ar da manhã, me arde no peito. Procuro manter a realidade longe, naquele espaço, entre a vigília e uma réstia de sonhos que sobram nos meus enfadados olhos.
Deixo-me levar por intermináveis delírios, em que a mente se divide entre o que vê, e a paz que tira dos sonhos e do sono.
Enterro o que sinto no âmago da alma, e escondo-o como uma pessoa incapaz de confessá-lo, a si mesmo.
Eu queria apenas que as palavras fossem doces e ia morrendo em cada fria alfinetada, que sentia no peito.
O meu sorriso refugiou-se numa funda gruta, onde já não entrava a luz da madrugada.
O chão começou a estremecer quando o pisava, esfrangalhado. Os olhos sem vida, o desalento alienado e sem compaixão como as pedras da calçada onde escorrego, porque também elas estão gastas.
Não quero despertar da letargia. Apenas quero enroscar-me em mim mesmo, aconchegar-me aos lençóis, reatar o cordão umbilical dos sonhos, e navegar para fora de mim onde ninguém me poderá encontrar, nem mesmo eu.
Como um marinheiro cansado, estou à procura de um porto. Não tem que ser necessariamente seguro, basta ser um porto, um cais, terra firme.
Um porto onde eu possa ancorar as minha emoções em tumulto. Desembarcar as minhas pernas cambaleantes, da ondulação do mar que rugia em ganas desesperadas. Fugir da tempestade que teimava em rasgar o céu e o meu corpo, vestido de algas e que orava ao silêncio um poema morto.
Quero deitar o meu corpo cansado em terra firme, porque estou esgotado de tanto navegar em intempéries, mares bravios, ventos alucinados.
E apenas me consigo acalmar, quando dispo, o teu vestido das emoções.
Indefiro a mim próprio, o prazer da tua autêntica nudez e visto-te com os carinhos que me esqueci de dar, com a luz que sobrou do nosso último olhar, embebido das marcas do nosso amor.
Por vezes quando te dispo procuro o que falta em meu corpo pois o teu completa-me tanto que o meu não existe sem o teu, por essa razão quando me dispo te visto de mim.
Depois, e com apenas uma folha seca, que outrora marcava as páginas de um velho livro, que li vezes sem conta cubro o nosso corpo, enquanto encerro a porta ao tempo e respiro o luar que se vem deitar sobre nós.
Depois da mais uma manhã sou obrigado a sair da cama, numa cesariana, previamente planeada. No desejo de partir, na ânsia de ficar lanço na loucura dum sorriso, as lágrimas para chorar.
Peguei no tempo e esbocei-o na filosofia de um gesto. Olhei-me num espelho quebrado e vi um rosto partido.
Amanhã poderei já não ser eu!
Mas, enquanto não chega o amanhã, e o céu se mantém intacto, não quebre, encosta a tua boca à minha e fala comigo esta noite.

6 comentários:

Terra de Encanto disse...

Sonhador,
saúdo o teu regresso. Deixa que os cães ladrem. Deixa que más pessoas vão, desistam, passem e não regressem. Fica com quem te quer ler. Um beijo amigo.

Sonhadora disse...

Meu querido amigo
Ainda bem que voltaste, já tinha saudades de te ler.

Mas, enquanto não chega o amanhã, e o céu se mantém intacto, não quebre, encosta a tua boca à minha e fala comigo esta noite.

Adorei o texto, como sempre.

Beijinhos com carinho
Sonhadora

Ana Isabel disse...

Gosto de te ter aqui, novamente.



Um abraço


Ana Isabel

Su disse...

Há alguns dias, senti uma tristeza sincera quando li a mensagem do blogger que dizia que os blogs "Sonho em mim" e "A traição do eu" não existiam.
Fiquei feliz por ver um novo post. Fez falta... alegro-me, por isso, com o seu regresso "mais forte que nunca".
Um beijinho,
Susana.

Malu disse...

Ah! Muito bem! Voltaste...

O céu às vezes se despedaça mesmo... parece despencar sobre nossa cabeça.

Daí aparece um grande sol e uma linda lua com muitas estrelas e tudo cintila, mesmo que por instantes.

Beijinhos, amigo

Milhita disse...

ola amigo, o desassossego parece partida e chegada. Não me contendo no espanto das palavras, sinto-as no mesmo cais onde me aguardo, não espero, revejo-me
Um abraço