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sábado, 20 de agosto de 2011

So near… (So far away)



(Um singelo texto em que qualquer um de nós se pode rever. Inspirado  em alguma afectividade pessoal, muita imaginação e uma boa porção de realidade, pretende igualmente homenagear a banda portuguesa Sultans of Swing, pelos inolvidáveis momentos que me têm proporcionado.)
 

Sei que algures a vida ainda me espera. Só que quanto mais vivo, menos me conheço! Mais dúvidas me assistem. O meu interior é compartilhado, talvez seja por muitos, ou por ninguém.
Eventualmente serei alguém que não é de ninguém. Habito dias tranquilos, outros como o mar revolto. Momentos em que me sinto forte, outros em que me sinto carente. Mas mesmo assim, sou gente.
Muitas vezes apaixonado, outras vezes na solidão. Com toda a certeza mais embrenhado na solidão.
Eu que não sou um homem de fé perdi a fé nos homens, perdi a fé em mim.
Hoje, a meio da noite como um larápio vou saltar pela janela e correr para longe, sem olhar para trás. Os sapatos numa mão, na outra, um saco onde em desalinho convivem cuecas com meias, engelhadas camisas, aspirinas para as persistentes enxaquecas e um velho aparelho de rádio a pilhas será o bastante.
O ar frio da noite gelou-me o corpo, mas não a minha vontade. Parte do meu cérebro irracionalmente vagueia pelo passado, presente e futuro.
Uma breve aragem varreu-me todo o corpo desenhando-me uma silhueta que se cravou na sebe da minha mente.
Vinda do meu subconsciente, uma voz muito baixinha, mas persistente censurava esta minha fuga. Gostava desta fase do meu comportamento, quando ainda o consciente me dominava completamente e me ordenava para seguir em frente.
Afastei da mente estas fraquezas com convicção e resoluto encarei o meu futuro próximo.
Fui até à esplanada magistral do silêncio iluminada pela luz forte duma noite viva, duma lua pujante. A esplanada onde brilha o perfume do mar.
Das águas enlameadas do rio Tejo ergue-se uma neblina fantasmagórica que o orgulho dos antepassados enviou e que traz nos seus farrapos a fragrância das mulheres frescas dos outros mares e o calor da aguardente que afoga o pavor e o escorbuto. Barcos navegam as águas, lotados de agiotas de terra firme. A salvo das ondas, mulheres gastas colocam xailes de fadista pelos ombros, arrastando-se no pontão, enquanto escutam a imortal voz de Amália e cicatrizam as feridas gangrenadas de sal e morte.
As guitarras trinam no aço que já não se forja, o vento procura enfunar as velas que se tornaram lençóis surrados usados nas casas de alterne que pernoitam em Lisboa.
Enchi o peito além da curvatura do rio, e caminhei pela noite.
Passeei na noite escura. Espreitei ruelas escondidas, galguei travessas perdidas e caí por avenidas aborrecidas.
Nas ruas desertas ecoam vozes que me abarrotam o cérebro. Almas vazias deambulam para cá e para lá de olhos ausentes, distantes na noite pálida e fria!
Um odor a lixo levita no ar e invade-me as narinas. Sinto-me mal. Não sei o que tenho. Talvez não tenha nada… Eventualmente estou mesmo enfermo.
À noite, a porta da alma fica aberta e as luzes molestam. À noite o silêncio não morde e a dor não dorme.
As noites são fechadas e eu fecho-me nelas à espera de não voltar a sair. Mas saí.
Andei à tua procura sem te conseguir encontrar. Mais uma noite perdida na minha ténue e gasta vida. Aqui estou eu de novo nesta maldita cidade, e tu estás tão longe.
Mas adoro a quietude da noite, sinto-me vivo ao conseguir ouvir o sangue correr nas minhas veias.
Tento sempre ultrapassar o óbice que me separa do labirinto da tua mente.
Olhei cansado para uma luz de néon cintilante. Não fixei as palavras. Apenas olhei para os blocos de pedra estática e hirta, das casas. De meter medo. Ao longe o eco de passos que se afastam, abafados pelo mutismo do escuro!    
Em silêncio percorri o sombrio da entrada. Entrar sozinho foi já de si humilhante.
- “Boa noite, quantos são?” Inquiriu um gorila no interior de um fato preto, laço vermelho no cachaço e umas luvas brancas nas enormes gadanhas.
- “Sou só eu”.
O indivíduo corpulento esboçou um forçado sorriso e franqueou-me a entrada afastando uma cortina negra. Seguiu-me com os olhos esmiuçados durante alguns segundos. Minutos foram necessários para os meus olhos se adaptarem.
Pouca luz, e pequenos grupos de gente bem cuidada.
Senhores elegantes certamente com as esposas na cama e esbeltas senhoras decididamente com os maridos emigrados.
Raios de luz feriam-me os olhos. Desequilibravam-me o corpo, entorpeciam-me o cérebro.
Aproximo-me com receio do balcão e peço um whisky. Pela metade e com muito gelo.
A rapariga que me atende, bonita como costumam ser as raparigas que nos recebem, tem uns olhos do tamanho do mundo.
Morena, cabelo escuro, e uns olhos negros tatuados com toda a cautela num rosto polido e rematado.
- "É tudo?", pergunta.
- "Sim, vim sozinho."
- "Vens sair sozinho?"
- "Sim, não tenho ninguém de momento que…"
Ela sorriu, deu-me o troco bem trocado que me atulhou a algibeira e atendeu um sujeito ao lado com o cabelo empinado e fixo, não sei se com gel, ou sebo.
Se com amigos sempre fora um desastre na arte do engate, sozinho sou simplesmente estrambótico.
Enquanto emborcava o líquido, a língua brincava com o gelo, algumas lembranças esvoaçavam-me pelos olhos e pelo coração.
Sempre falhei demasiado. Feitio ou defeito? Não sei.
Na escola raramente marcava um golo e em cada recreio mudava de equipa. Era mediano nos estudos, um desastre a matemática. Tinha medo das “chamadas” e por isso sentava-me sempre nas últimas carteiras.
Terminei o primeiro copo e pedi o segundo.
Ela sorriu de novo. Serviu-me e aproximou-se do meu ouvido.
- "Ingere este com muita serenidade, para não beberes de mais. Saio daqui a uma hora".
Eu nem queria acreditar. Aliás, não acreditei. Que podia ela querer de mim?
Sou demasiado esquecido. Tenho o cabelo como uma ceara de trigo após a sementeira, um carro velho e uma máquina que faz um café intragável. Detesto ópera e espectáculos eruditos. Choro no cinema, como uma Madalena arrependida, com as cenas mais compassivas.
Terminei lentamente o segundo copo e pus-me dali para fora.
Saí por onde tinha entrado e esperei por ela à porta a dançar a música vinda lá de dentro. O espadaúdo mirava-me com ar de surpresa e de enjoo enquanto aliviava o laçarote que o asfixiava.
Levei a mão à face e para mal dos meus pecados senti a barba mal feita. Que quer ela?
Tenho um emprego vulgar, as pernas magricelas e sou, sem dúvida, o mais feio dos meus amigos. Sou terrível com datas, não conheço ninguém famoso, nunca fui a Las Vegas. Tenho medo de andar de avião… por essa razão também nunca fui a Los Angeles.
De mota, só à pendura. Nunca fui a uma concentração de motards nem tão-pouco a um show de t-shirts molhadas. Não sou um destemido aventureiro, nem gosto de bordoada por dá cá aquela palha.
Fico cheio de sal no nariz quando como as batatas fritas de pacote. Sou péssimo a demonstrar ciúmes, enfim que pode ela querer de mim?
Doía-me aquele desgastado calo sufocado pelo sapato, um número abaixo. Apesar de aquele atenazar lá ia sacudindo o corpo lânguido ao som de Cocaine.

She don't lie, she don't lie, she don't lie;
Cocaine.
 If you got bad news, you wanna kick them blues.
Cocaine.
When your day is done and you wanna run.
Cocaine.*
 
 
Aturdido pelo contágio da música ia pensando que penso demais.
Não, não sou feliz. Julgo mesmo que nunca fui. Quem se importa com isso? Ninguém!
Alguns importam-se apenas que esteja bem. Bem, não chega.
Gostaria que aquela feiticeira que ambos conhecemos, nos devolvesse o tal encanto do outro tempo. Agora fechas a ternura em ti e vislumbro uma pedra lapidada, mas tão pouco feliz, tão pouco entusiasmada, que, quando consigo detectar o brilho nos teus olhos, agarro-me a ele e não o quero perder mais. Em tempos, sentiste-te enfeitiçada, sei-o bem. Li-o. Quero mais. Mas já não te entendo.
Na realidade não me peçam para entender as mulheres, é esforço inglório! Já tentei tudo, já arrisquei o nada.
Onde te escondes quando o sol se põe? Estava ainda enlevado nestes pensamentos, oiço uma risada.
Ela saudou o copioso capanga da porta, que me piscou o olho como que cumprimentando-me pelo feito.
Melosamente entrelaçou os dedos finos nos meus. Beijou-me com naturalidade como se os meus lábios fossem velhos conhecidos, e pediu-me que a levasse a casa. Era pelo menos isso que eu esperava.
Ela não apareceu. Esperei horas e nada.
Telefonei a um amigo, que não tenho, nem nunca tive, e pedi-lhe que me fosse buscar.
Passaram longos meses. Demasiados meses desde essa noite.
Faz tempo que partiste. Desde que me deixaste por cá numerando os dias, esperando que germine o nosso. Aquele que eu quero que brote, como um belo jasmim.
Tu, ou o que ainda resta de ti é provavelmente um fragmento.
Receio no que me tornei. Surdo, cego, mudo. Fechado, oco, sombrio. Não existem espelhos nem relógios, nem dia nem noite. Nem eu nem tu. Agora existem apenas palavras ocas, loucas, sem som.
Por onde andarás tu agora? Será que morreste?
Saberás ainda o meu nome? Os contornos do meu corpo? Claro que não. Tu estás tão longe! Aqui ao lado.
A morte espera-se, a vida gasta-se… eu consumo-me desejando o nada.
Estou totalmente desgastado e desvanecido. As horas não param, os dias avançam, os anos esvoaçam de asas abertas.
Estou cansado. O corpo quase morto e os poucos cabelos teimosos que me branqueiam a cabeça, impregnados com o cheiro ao champô de ontem provocam-me vómitos.
Por vezes, existem dias que me chocalham os miolos e só penso em desistir, lutar contra este pérfido mundo. Combater a indiferença de quem passa por mim de cabeça erguida, fixa de ideias e de boas maneiras. 
Que se fodam os bons dias e a boa educação construída de vidro fosco e aramado. Não me chamem mal-educado, porque a Inês Pedrosa também escreve o mesmo… No reflexo das vossas costas, está a imagem das minhas. Amizades de cartão recortadas em forma de "conveniência", sorrisos de orelha a orelha, num silêncio que me intimida.
Marcharei ao contrário como o caranguejo, vestir-me-ei do avesso como um palhaço sem circo sendo o meu ridículo, o prazer dos outros. Quero lá saber.
Invejem-me, ambicionem o meu fim... Não estou preocupado. Neste momento sinto que a imaginação está arrumada na gaveta das meias. Melhores dias acorrerão.
O meu mundo pinto-o eu... numa tela em que muitos não cabem. Irei escrever ainda mais, por palavras minhas, sentimentos que a maioria nunca irá sentir.
A tua ausência embriaga-me nos tragos de nada que solvo e que tu despojaste à partida.
Não te quero ver, sentir, tocar. A tua voz irrita-me quase tanto como as palavras que emite.
Serei melhor que tu? Nem pensar. Foge de mim que o meu corpo é peçonha.
Sinto-me esgotado. Com o corpo cansado é mais fácil descansar a cabeça. Com a mente desligada de tudo pode-se rever muitas coisas. E existia tanto para rever…
Acendi um cigarro de fragrância forte. No escuro só podia ver-se a brasa ardente no meio do negrume. Pretendia apenas avivar as ideias. O meu néctico pensamento sobrevoava os acontecimentos da noite.
O amanhecer já roubava as trevas da noite. O céu apresentava-se alaranjado, nuvens de um azul carregado inebriante.
Trânsito caótico, como não poderia deixar de ser. Mas preferi que o som da desordem ficasse do lado de fora do carro.
Mais um dia cansativo. Mas, enfim os carros andam e o trânsito flui lentamente.
Cheguei a casa, como sai. De mansinho. Coloquei o casaco numa cadeira, deixei a luz apagada, permitindo que a sala fosse iluminada com os primeiros raios de sol quase prata. Houve momentos em que tive tudo não tendo quase nada. Lembro-me quando dormíamos ao relento e ouvíamos o vento e a chuva beijar o alcatrão encharcado.
Sentei-me no sofá, acendi mais um cigarro e voltei a vaguear como se estivesse na primeira fila de um festival de imagens, sons e cores irreais.
Que horas serão dentro do meu corpo? Que tipo de quartzo pulsa no meu coração?
Do sótão da casa, desciam lentamente alguns solos de bateria. O “chimbau” acompanhava os acordes iniciais da viola baixo.
O som cada vez mais pujante percorria o corpo melódico de “So Far Away”.

Now here I am again in this mean old town
And you're so far away from me
Now where are you when the Sun goes down?
You're so far away from me

You're so far away from me
So far I just can't see
You're so far away from me
Alright

I'm tired of being in love and being all alone
When you're so far away from me
I'm tired of making out on the telephone
'Cos you're so far away from me

 
You're so far away from me
So far I just can't see
You're so far away from me
Alright
And I get so tired when I have to explain
That you're so far away from me
See you've been in the Sun and I've been in the rain
And you're so far away from me
You're so far away from me
So far I just can't see
You're so far away from me
Take it down*

A música soa, a solidão acentua-se. Sorri e deixei escapar uma lágrima que rolou pelo meu rosto escondido pelas mãos.
Reclinei o corpo, como se estivesse à procura de um ponto no tecto. Sim, aquele é o meu refúgio, a minha válvula de escape. Dia após dia faço este ritual, na esperança de um dia encontrar o ponto que teimosamente se resguarda dos meus desgastados olhos.
●●●
A melodia e um odor a “erva” paira no ar, como se um rastilho de incenso tivesse sido deixado a arder durante várias horas.
O cheiro infiltra-se nas paredes, nos corpos jovens que ali se encontram em prostração.
Um jovem “snifa” um resto de coca que se encontra numa mesa improvisada. Um sinal de STOP, que roubaram certamente numa das suas noites de distúrbios, assenta num tronco de madeira maciço de base redondo.
Outro jovem com salpicos de barba dança agitado e eufórico ao som do pujante e harmonioso riff que a acústica canhota do Alfredo brota para a poluída atmosfera.
O peculiar timbre da voz de João mistura-se no denso nevoeiro de fumo. Inclina o corpo para trás, cerra os olhos enquanto as mãos matraqueiam as pernas ao “groove” do Luis que transpira grossas gotas de suor ao assaltar o prato de ataque.
Um clima de obscuridade invade a sala. A luz não é propriamente bem-vinda naquele ambiente.
O negrume é rainha e senhora, e apenas por vezes um flash de uma luz psicadélica irrompe pelo escuro da sala, quebrando assim a monotonia da cor.
Vislumbro uma rapariga sentada no chão e com as mãos nos joelhos. Reluzia, como uma chuva de estrelas cadentes enquanto a guitarra do Nuno nos embalava até à fronteira do delírio com um magnífico solo.
Abeirei-me dela e sorri. Já a conhecia do liceu e das aulas de ginástica. A noite caminhava de forma célere e perturbante.
E quando a manhã raiar vou rir da insanidade e de como a morte se veste de guitarra baixo.
David com ar acabrunhado fixava os olhos na pauta para que nenhuma nota tirada do baixo pudesse escorregar do improvisado palco.
Pelo canto do olho, noutro canto, desencanto no meio daquela panóplia de fios, luzes e instrumentos, uma cara de menina melodicamente frágil, mas curiosa. Andreia, sempre que os seus finos dedos abalroam as teclas do sintetizador, melodias parecem vir de longe, de dentro, como brotando num útero, onde a vida começa. Depois, o som propaga-se lentamente enchendo corpos de bonecas, soltando vestidos com folhos, enrolando-se em colares de pérolas, alianças, tacões altos, unhas falsas atravessando toda a sala contagiando todos aqueles corpos vazios e imberbes.
Às vezes a canção não precisa dela, corre solta, está à superfície da pele, cai das pontas dos cabelos molha-lhe a fronte, mas sempre que é fatal Ana Sofia, faz rendilhar o saxofone e a flauta com mãos cheias de versos de amor. Uma sonância de estrofes que nos provoca um reanimar de uma chama que o tempo fez murchar.
Eu tento agarrá-los para os oferecer à menina sentada a meu lado.
“Sentes?” Apanha-os, porque a altura é esta!” Exclamou a menina ainda com as mãos nos joelhos, a meu lado.
Alucinado e com os olhos pesarosos desperto da minha hibernação. Os pés pesados, a alma dormente, o coração oco.
Olho fixamente o tecto e encontro o tão almejado ponto.
Um “olá” declamado entre dentes faz-me rodar o pescoço tenso e dorido. Com um esforço descomunal, reconheço a mesma silhueta, um pouco mis polida pelo tempo, da menina sentada e de mãos nos joelhos. Em completo mutismo voltou a sentar-se a meu lado.
●●●
Sim! Tudo foi vivido, mas não adianta sonhar… fica o pensamento para sempre a flutuar.
Tivemos o nosso sonho domado e esculpido nas mãos. Um dia riscámos a nossa história e escrevemos por cima, uma outra da qual já não fazíamos parte.
Tropeçámos nos arrependimentos até percebermos que era muito tarde. Longínquos vão os tempos que trocávamos o sono pelo frenesim dos nossos beijos.
Alterámos a história porque a nossa estava gasta. Amanhã voltamos. Amanhã; pensámos nós e fomos repetindo este pensamento dias a fio. Passou-se uma semana, passou-se um mês passaram anos.
A perfeição não existe e aquele querer, o nosso sonho do mundo perfeito, lado a lado, fez-nos cair no dia que ficámos sem asas. Procurámos soluções sem saber para que problemas e por mais que tirássemos os espinhos as cicatrizes ficaram.
Oportunidades perdidas. A vida a passar-me o lado. Não acredito em mais nada. O remorso. O eterno tormento das coisas que ficaram por dizer. O arrependimento. Que inferno.
Custa, dói muito. Não sangra, mas preferia sangrar, perder tudo deixar de ser quem sou e em troca ter apenas um pouco de paz interior.
Na realidade não passo de um imortal romântico, não posso prever o amanhã que a vida me reserva, mas na eloquência do silêncio, as lágrimas visitaram os meus olhos, rolaram pelo meu rosto, confundiram-se com a transpiração e mostraram-me que ainda sou hábil e me consigo surpreender.
A ternura, a emoção vivida fizeram-me acreditar que o futuro poderia ainda sorrir. Não houve aplausos, mas como dois bailarinos que amam a sua arte, escutamos os sussurros do prazer que os nossos corpos envolvidos brotaram.
Tanta paixão, tanto amor, não podem nem devem deter-se adormecidos, as vidas são para se viverem, os momentos para se recordarem e juntos podemos voar, construir castelos, mudar o rumo aos contos de fadas, abraçar a felicidade e uma vez mais agarrar oportunidade que a existência nos dá.
Será que tudo tem de ter um fim?
Tudo tem um fim, seja definitivo ou não, mas a memória essa nunca se apaga totalmente se aquilo que aconteceu foi importante.
Lembras-te quando te colavas lânguida ao meu corpo e olhos nos olhos, me dizias que a teu lado, incendiasse o mundo? Comecei por ti. Mas rapidamente o fogo foi extinto por águas depravadas lançadas por bocas adulteradas.
As estrofes meio sussurradas na voz de Knopfler, ou do João – como poderei eu saber? - Traduziam o modo como me sentia.
Abracei-me e não me senti. Afinal quem actuou para mim? Não sei!
Na minha mente, eu era um anjo de ferro, um monstro sem cabeça, um príncipe enganado.
Com os olhos cerrados, para não ver a realidade, entendi que nunca passaste disso mesmo, um sonho, distante… tão longe, aqui ao lado.

Cocaine – Eric Clapton
So far Away – Dire Straits


Sultans of Swing

João Veloso (Voz)
Alfredo Soares (Guitarras)
Nuno Pinto ( Guitarra Eléctrica)
David Costa (Viola Baixo)
Andreia Pereira (Teclados)
Ana Sofia (Saxofone/Flauta)
Luis Ferreira (bateria) 

3 comentários:

Luz disse...

Tanto que pode ser dito...- mas serei breve -, explicado se o outro lado o conseguir entender...
mesmo que fique sempre muito por dizer...

Deixo esta música, estas palavras, dizem tudo...
o que neste momento posso aqui dizer...

http://www.youtube.com/watch?v=Fnf4yuXg0ek

Beijo

Espaco XXI7 disse...

Tudo foi dito e mais ainda poderá.
Foi sonho ? Foi realidade ? Será o que sentirmos.
Um abraço.
LFR

elle disse...

sabes, por vezes, pensamos que o sonho que nos parece ser o mais distante, é afinal o mais próximo e real que podemos ter na vida e vale pela vida toda.
depois há outros que não passam de meras distracções que só servem para nos iludirmos de que estamos a afastar-nos do nosso sonho.

beijo