Performancing Metrics

BLOGGER TEMPLATES AND TWITTER BACKGROUNDS »

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

A Nobreza na despedida


Esta noite a insónia, o desespero e a desilusão não me largaram um segundo.
A necessidade de respirar a vida ergueu-me do leito bem cedo.
O sol envergonhado conduziu-me até à beira mar.
Há dias assim, em que se pesca e repesca no fundo do baú, na esperança de encontrar qualquer coisa. Não precisa ser valiosa, nem imponente, nem dourada, basta que seja uma qualquer coisa.
Fiz uma retrospectiva da minha vida. Pensei muito. A dor inundou-me. A desilusão agarrou-me com os seus tenazes braços e não me largou.
Vou morrer virgem de tantas coisas, de tantos sentimentos e sensações que nunca provei, que não sei como são. Julgo que tirando a minha mãe ninguém me embalou. É assim, sei que irei morrer, sem provar o sabor da acalmia da mente, da alma, o sabor do verdadeiro amor, sem represálias, sem tiranias, de alguém que se intitula de perfeccionista e única.
Mas que se desengane, porque não o é, não o foi nem será. Que pratica o que condena no outro. Que magoa da mesma forma que todo o ser. Que toma por vezes atitudes certas e as posturas erradas como todos.
Pensei na minha mãe, doente. Meditei no meu pai igualmente enfermo. Para quê tanto ódio se amanhã poderei já não fazer parte dos que me amam ou dos que me desiludem.
Assaltou-me a ideia do amor que tanta gente apregoa sem o praticar.
Se pensarmos na vida, ela é tão curta, para quê ferirmos o coração? Para que nos serve destroçarmos a alma de alguém que dizemos amar?
Será que vale a pena? Seremos eternos?
Afinal vingança é sinónimo de amor?
Se o destino existe mesmo, ele que me aniquile e me faça renascer noutra vida, e essa outra que virá um dia que me ofereça a paz de espírito, sem assombros de fantasmas da infância, sem o peso de todos as responsabilidades e principalmente sem esta lucidez que, como um espelho gigante e multifacetado, me mostra clara e nitidamente os meus erros, omissões e faltas. Tenho saudades do que não conheço, mas que revejo na vida dos outros. Afinal errar é humano… e não é apenas um que falha…
Tenho pena desta minha existência, desta passagem pela vida, tão imperfeita. irónico é que, desde que me lembro de ser gente, sonhei com esse colo, esse abraço protector, esse escudo contra os desgostos ridículos e as amarguras de lágrimas de raiva e sangue. Sonhei-o sempre. Nada de especial, nada de fantástico. Apenas alguém capaz de me amar como sou, que saiba quem sou. Que me ouse conhecer para além do óbvio e de me cuidar, como um livro antigo ou uma peça sem outro valor senão o da saudade.
Se é o fim, que seja, mas que seja com honestidade, com a nobreza que ambos merecemos.


7-12-2009

6 comentários:

continuando assim... disse...

sonhador...decididamente vingança, não é uma forma de amar , não se dá nada com a vingança....em nenhuma situação

bj
Teresa

Susana disse...

Olá Sonhador,

que lindo texto e muito sentido adorei, perfeito para reflectir e sonhar...O amor é sempre a respost aé sempre a saída mesmo no trilho mais sombrio...

Beijinho

Malu disse...

Meu querido,
O mar é sábio companheiro e andar pela beira da praia é transcender o espírito entre as ondas...
Também morrerei virgem de tantos gostos que não conheço, de tantos sentimentos e sensações que jamais tocarei, mas vale a pena sermos eternos para termos a oportunidade de provar tais desconhecimentos n'outras dimensões.
Beijinhos para ti.
Que tocante, teu texto!

maria disse...

Adorei...reconheci muitas das palavras como minhas.
Um beijo sonhador.
MARIA

katie. disse...

Lindo texto. Fiquei fã.

Rosy disse...

Boa Noite :D

Bem, fiquei extasiada, pois suas palavras, poderiam muito bem ser as minhas neste momento. E eu com 19 anos a sentir o mesmo que uma pessoa que podia ser meu pai..
isto so serve mesmo para reforçar que a vida é mesmo efémera e que não adianta estarmos ou sonharmos com um amor verdadeiro, pois, quanto mais o desejamos, mais longe ele se encontra.
Tudo isto se resume a viver unicamente o Presente e a saber Sentir cada momento aproveitando-o ao máximo: CARPE DIEM!

Em que livrarias se encontra á venda o "Psique do Amor"?

Uma boa continuação.
beijinhos