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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Na noite fria, a brisa é minha amante


O dia findou. A solidão dobrou. Deixo a noite deitar-se sobre mim, cobrir-me com o seu escuro xaile-manta e escuto o brado da ventania que me embala nas noitadas frias e pardacentas dos meus sonhos.
Escuto atentamente as palavras mornas nesta noite de desejo.
É nesta vontade de viver que imploro o calor do teu corpo. A alma, essa já não acalenta. Está como a noite, escura, ventosa e fria. Cadavérica de sentimentos. Desiludida e só. Que se açaime o sentimento. Enquanto é tempo!
Careço de ti. Preciso sentir. Abro as vidraças da janela e permito que a brisa e o negrume me invadam todos os poros do meu corpo de homem despojado de pingas de amor que se soltam da poesia, alimentam a alma e regeneram as memórias. O meu quarto apoderou-se da gélida humidade da noite do meu consolo.
Agora sinto as mãos do vento em murmúrios de silêncio, deslizando pelas colinas do meu corpo, pelos sulcos do meu rosto. O vento, sempre me soube compreender. Tem um jeito brando de beber de mim o suco que escorre de cada palavra. Mesmo daquelas que, por gentio pudor, silenciava ao altar do amor.
Os meus olhos cerram desejos, a minha boca desflora o beijo que incendeia as estrelas mais selvagens.
Deixo que me cubra de folhas cadentes a pele, cada traço, cada ruga, cada silêncio. Não te ergas apenas nos planaltos do desejo, leva-me contigo ao cume do prazer. Traz-me os meus sonhos e faz-te nuvem no céu da minha boca. Humedece todo o meu ser e deixa o momento fazer memórias para podermos recordar.
É no ventre da noite que liberto todos os meus caminhos entre sombras roucas de ecos mágicos e os transformo em lúgubres arrepios do prazer.
Sopras-me palavras quentes nesta noite de prazer. É neste orgasmo da vida que imploro que não pares. Traz-me à terra em teu abraço e deixa que a minha alma finda borbulhe para que sinta o teu calor, até à próxima vez.
Suspiros de volúpia dançam no tecto do meu quarto, onde resvalam pelas paredes versos de amor em sonetos incompletos.
Arrisco confessar-to agora, os meus dedos, as minhas mãos, perderam, heregemente o jeito limpo de dedilhar, em saltérios dúbios, a nudez da palavra mulher. A minha Deusa já não me reconhece. Partiu com o tempo. Para o teu mundo querida brisa, amante dos pobres de coração e despojados de buena-dicha é como um jogo à cabra-cega. Mas o teu sopro e a brida cálida embrulham a minha falta, o meu padecimento.
Exausto e errante de ti, pouso os meus sonhos em teu regaço não sentindo a noite que morre. Unidos ficaremos para todo o sempre, na tranquilidade dos laços em nossos corpos.
Agora vai, deixa-me repousar do duelo travado sem padrinhos, sem regras.
Partes para longe, mas sei que voltas. Imploro-te somente que escrevas até ao fim o romance de nós dois em cada pedaço do meu corpo suado e quente do prazeroso amor, pela indecente paixão de um prazer solitário.


E o caminho para achar a Perfeição e o Amor está dentro de nós. E assim, aprenderás a voar...

By Fernão Capelo Gaivota

12 comentários:

Susana disse...

Olá,

mas que texto fabuloso, perdoe-me mas eu não encontro palavras para comentar...Lindo, delicadamente sentido, genial, uma verdadeira loucura de sentimentos...Que rico Ser escreve tão belas palavras que dançam ao sabor de um amor e um desejo que vai muito além do que julgamos controlar...

Beijinhos, bom fim-de-semana
Susana

Sonhadora disse...

Meu querido amigo
Belo texto, onde as palavras nos extasiam os sentidos, e nos embrenhamos nele.

É no ventre da noite que liberto todos os meus caminhos entre sombras roucas de ecos mágicos e os transformo em lúgubres arrepios do prazer.

Lindissimo

Beijinhos
Sonhadira

Angel in the dark disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Malu disse...

Meu lindo, sinto-me acarinhada por tão profundas e doces palavras todas as vezes venho por aqui.
Tudo é deleite e, como as palavras nos fazem bens a alma...
Beijinhos em teu coração

catwoman disse...

Adoro a tua forma poética de escrever prosa, a forma como nos despertas os sentidos e sentimentos.Há anos que não ouvia a banda sonora de Jonathan Livingston Seagull, fui ver o filme e até me ofereceram o livro :)
Beijinho

Su disse...

Os seus textos conseguem sempre "mexer" em mim... de diversas formas.
Este, sendo um texto inquieto, estranhamente serenou-me... no fim de um sábado cheio de movimento e pessoas. Obrigada por isso!
Beijinho,
Susana.

Sophia disse...

Vote em mim por favor : )
E' só ir ao meu blog e clicar no s+imbolo da super bock ^^

disse...

eu acredito que a desilusão seja desgastante e difícil de assimilar tanto aos 17 como em qualquer outra idade. o que (possivelmente) faz a diferença é o hábito que existe, ou não, em lidar com ela (:

Abraço-te disse...

A nossa busca incessante...

Abraço-te

Angel in the dark disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Terra de Encanto disse...

Sonhador,
e assim és, uma alma doce e romântica, entregue à memória de um amor sem fim. Ela é a brisa que te acompanhará sempre e que, certamente, deseja que tudo, em ti, no teu coração, repouse do alerta em que a imensa saudade te deixa.
Que palavras imensas...que amor sem fim...raros são os privilegiados que o sabem descrever assim, porque privilegiados são os que sentiram tamanho amor.
Meu amigo, que mar imenso tens dentro de ti...

orkide@ disse...

Fiquei maravilhada com a sua escrita.
Uma inspiração assim tem de vir do fundo da ALMA e sentida em cada pedaço de pele.
Adorei.

Bj