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quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Demência...

(...)

Beto era um parceiro de longa data. Companheiro desde a escola primária. Era um quarentão exuberante, um lunático de charme.
Possuidor de uma ostentação desmedida era um homem da tela.
Apesar do hedonismo, apenas tinha entrado em películas, hard-core. Tínhamos passado imensas férias juntos.
Um escritor frustrado e um actor que era conhecido, pela ostentação e tamanho do pénis, é sem dúvida, uma simbiose perfeita.
Igor por sua vez lembra-me de algumas façanhas vividas com Beto. Tem uma memória de elefante.
Tanto lugar pacífico e ignorado, abruptamente abrasado, revolucionado pela nossa louca fúria.
Vítimas incontáveis e ridicularizadas, por bêbados desvairados, à procura da sua sombra.
É tudo isso que o russo conta.
O striptease das meninas que faziam a primeira comunhão, a tourada nos aristocráticos jardins do palácio de Queluz, o enjaulamento no jardim zoológico do proprietário do Bogotá, a corrida maluca de carro através de Albufeira, o fogo de artificio no cemitério dos Prazeres.
Os estridentes vómitos e flatulências do meu amigo no hotel Tivoli de Sintra, após um belo repasto, acompanhado de um bom e muito vinho.
Enfim uma farra por mês, uma purga tanto física como moral.
Este era o retrato de dois pseudo-artistas frustrados com o mundo e com a vida.
Relembro uma entrevista, não sei para que jornal, que uma jovem jornalista me fizera, devido à instabilidade provocada pelo fogo de artificio no cemitério.
Claro que estivemos com os costados na tarimba da esquadra da Polícia durante uns dias, mas o gozo valera a pena.
- Qual o motivo que o levou a fazer tal coisa?
- O ímpeto.
- Nem mediu as consequências de tal acto?
- Não! Apenas me apeteceu…
- Se não escrevesse, senhor Daniel, que faria?
- Seria gangster, menina. Al Capone... conhece? Vem no dicionário. Escrever provoca doença.
- Que tipo de doença?
- Doença de tudo. Doença da alma, da cabeça e da própria consciência.
- Qual o seu remédio?
- Não existe remédio, boneca…
- O senhor Daniel é um anarquista.
- E a menina, uma grande burra!
(...)
Texto: In "O lado escuro da lua" (Não editado)

2 comentários:

Rosy disse...

Uma boa tarde.
Gostei muito deste pequeno excerto, embora nao conheca a obra em si, mas acredito que iria gostar.
Tal como a Luz ja referiu, tambem adoraria o ver nas montras, e nao é algo impossivel, se tem realmente esse sonho, agarre-o!
As vezes um pouco de energia positiva, ajuda realmente a alcançar certas metas impossiveis a nossos olhos.
uma boa continuaçao.
beijinhos :)

marta marques disse...

que delicia... como gostava de ser mosca e ter estado lá...nestes devaneios que tanto me atraem--- ;-)))