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domingo, 29 de novembro de 2009

“…uns tocam-nos o corpo sem nunca nos terem tocado a alma... e outros tocam-nos a alma sem nunca nos terem tocado o corpo..."

Neste lugar, as árvores são objectos de Van Gogh.
Fico longos momentos ao sol, para as ver retorcer, bater, suplicarem e chorarem sob os ataques de vento.
Levantei-me cedo e tentei encontrar Igor. Nem a sua sombra.
Agora só um café. Sem a cafeína matinal sentia-me um tronco inanimado, sem vontade própria, sem reacção.
Fui a pé. Sem pressas e tentando encarnar na minha mente a percepção do malogrado pintor.
Tento-o muitas vezes. Quando o consigo, vejo o mundo a cores.
Toda a gama dos azuis. Azul lavanda do céu, azul-marinho do mar e o azul mais deleitoso do horizonte.
Os verdes. Prateado das oliveiras, pouco mais escuro, como o das videiras, mais escuro ainda das moitas de mato.
Os brancos, reflectidos em cada casa da povoação, tanto à sombra como ao sol.
A gama dos ocres, o avermelhado dos telhados, ocre beige da igreja, ocre quase castanho de um pedaço de terra a meus pés.
Mas, curiosamente tenho medo das telas e até dos espelhos. Olho para as portas com desconfiança, julgando-as capazes de se fecharem brutalmente atrás de mim para não mais se abrirem.
É urgente que eu vá até à povoação e ao café, para me libertar desta angústia. Soltar-me do lado escuro da lua.
É necessário que eu desça de onde estou, correr apesar do vento que de forma matreira me tenta travar, que se enfurece de me deixar passar.
Recordo-me que no Verão passado Amélia estava junto à porta do café com Sofia, a mulher do meu amigo Filipe. Aliás foi através dele que ficara a conhecer como a palma das minhas mãos a vila.
Eu apaixonado pela mulher de Filipe como um garoto. Mas, impossível encenar com ela o jogo, cem vezes repetido da sedução.
Paralisado pela sua beleza, pelo seu humor e segurança. Eu pensava que as coisas por vezes são assim. Sonhar pelo menos uma vez com amor, em vez de o fazer. Entender o que uma vez li algures; “…uns tocam-nos o corpo sem nunca nos terem tocado a alma... e outros tocam-nos a alma sem nunca nos terem tocado o corpo..."


In: O lado escuro da lua (Não editado)

8 comentários:

continuando assim... disse...

lindo....

bj
teresa

Luz disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Susana disse...

Muito lindo.

Beijos

Malu disse...

Simplismente encantador o teu espaço.
Amei, como amo tudo o que é sensível e belo.
Volto mais
Beijinhos em ti

Ju disse...

“…uns tocam-nos o corpo sem nunca nos terem tocado a alma... e outros tocam-nos a alma sem nunca nos terem tocado o corpo..."
Exatamente o que passo, essa frase exeu comigo d uma forma... obrigado por ter me dado a oportunidade de lê-la! òtimo trabalho!

Dri Viaro disse...

Oi, passei pra conhecer o blog, e desejar bom dia
bjss

aguardo sua visita :)

Sophia disse...

Disse-me no comentário para seguir o coração, mas não posso por não saber o que ele me diz. É estranho, é estranho toda a gente me dizer para largar, que me faz mal, e eu sei que sim, e tudo o que sinto agora é como diz Margarida Rebelo Pinto "gosto dele como se gosta das pessoas que já amámos". Mas sei lá, não consigo explicar, mas à aquilo qualquer coisa dentro de mim que me diz que ainda não chegou a hora de abandonar tudo, é como se ainda restasse qualquer coisa, como se o coração ainda me prendesse e a intuição me dissesse "Não vás já embora". O quanto eu gostava de me desmistificar :x

Sophia disse...

Não posso amar, não se ama assim :x
Tem o livro ? :o