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segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Metáfora da liberdade



O tempo. Simultaneamente, inimigo e aliado.
Enquanto nos sorve a vida pelas beiradas, repara os estragos que ela causou no nosso âmago. Com o passar do tempo percebemos que um simples sorriso faz a diferença. Um simples abraço transforma segundos em longos minutos. Que o som de uma guitarra nos remete a outro mundo. Que estar só requer um equilíbrio emocional. Entendemos o real valor das pessoas, que todas são diferentes. Criamos novas expectativas. Queremos andar sozinhos, mas não queremos estar sós. Essencialmente com o passar do tempo aprendemos que o tempo passou mas não em vão. E, para mim, o tempo tinha sido um adversário difícil de combater. Se tinha.
Lembro-me muito bem de como era ser criança. O tempo era infinito e não havia morte. Nem sequer nela pensávamos. Passávamos-lhe sempre ao lado com a nossa inocência e vivacidade. “Só os velhos morrem.”
O mundo era uma imensidão. O relvado da escola primária parecia uma imensa pradaria americana. Os espaços pareciam tão imensos que nos perdíamos na nossa casa.
Os jogadores de futebol pareciam uns homens feitos, velhos. As miúdas dos concursos moldavam os fatos de banho a preto e branco como mulheres sensuais e com ar escanado.
As férias grandes eram mesmo grandes e no fim das mesmas tínhamos dado um “pulo” imenso, pelo menos era o que os adultos nos diziam. As emoções ainda eram grandes demais para nós, por isso submergiam-nos. A nossa casa era um claustro, de tecto alto e inatingível.
Tudo era possível. Os adultos tinham todas as respostas, por isso a nossa própria ignorância não nos afligia muito. Pensar? Apenas nas participativas corridas de caricas que tinham lugar no lancil dos passeios, ou nos jogos de hóquei em sapatilhas com uma bola de matraquilhos que com o “estique” lançávamos contra as sarjetas.
Deus era uma certeza. Estava em todo o lado. Olhava por nós.
Mas o tempo não perdoa e quando acordamos vimos por cima do ombro, o passado tão perto, que por vezes o queremos agarrar.
Como uma metáfora da liberdade, atirar-me apanhar uma gaivota e voar por aí sobre os mares, sem rumo, esquecer quem sou e o tempo que não tenho, esquecer as lágrimas perdidas e no cimo da vida pular de contentamento, esquecer os pensamentos ensanguentados e ser eu próprio assim como nunca fui nas asas de uma gaivota.
Queria eu vencer as batalhas todas de seguida, numa rajada inspirar o amor que sinto não existir no coração dos outros e como se eu fosse genuíno, mais puro do que as águas cristalinas como as que jorram de escusas cascatas, ver reflectidos em mim os sonhos deles sem pontas de ódio ou de ruptura... só e apenas assim ser nas asas de uma gaivota.
Cala-te boca! Cala lá todas estas palavras porque hoje a loucura é muita e a febre de me sentir vence, porque hoje a vontade de ir me surpreende. Tomara eu ser Fernão Capelo e voaria sempre ávido de liberdade desafiando as regras impostas por gente que se julga dona do mundo e alertando-os a abrir os olhos para a liberdade que só o conhecimento pode trazer.
Entretanto, assim como Fernão Capelo Gaivota, acredito que somos ideias perfeitas e ilimitadas de liberdade, porque o perfeito vem da busca infinita pelo melhor.
"Para as pessoas que sabem que a vida é algo mais do que aquilo que nossos olhos vêem.”



In "A filha que nunca tive"

4 comentários:

Laura disse...

Tenho um texto assustadoramente parecido: http://lagrimadeloba.blogspot.com/2008/02/breve-historia-da-vida.html. Chamei-lhe "Breve História da Vida".
Algumas frases são mesmo iguais.
Um bem-haja e boa noite.
Laura

Rosy disse...

boa noite!
que bom ler assim estas sentidas palavras.
As vezes a nostalgia aperta-me, por outros tempos, em que a inocencia me trazia felicidade.. em que a ignorancia deste mundo me fazia mais feliz. Apetece mesmo revive-lo e o por em PAUSA nesse mesmo tempo para sempre.
Espero ver esse livro editado!
Obrigada uma vez mais por suas palavras em meu espaço.
beijinhos :)

Luz disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Sophia disse...

Há comentários que simplesmente me deixam sem palavras, e o seu foi um deles. Mas ainda acredito que ele não é o amor da minha vida, eu espero mais, mas também sei que o coração não vai voltar a bater tanto, e que nada vai doer tanto.