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quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Coração furtivo (Ou um amor quase perfeito)



Na vingança e no amor a mulher é mais bárbara do que o homem.

Friedrich Nietzsche



A chuva caiu lenta no telhado da minha incerteza. As gotas grossas com o teu imago escorriam pelas paredes, pelas janelas e caíam sem compaixão, no negro xisto que calçava o passeio.
O íngreme da álea fazia com que rolassem deixando um gemido na calçada negra e um rasto ensopado de mágoa. A tua voz estalava nas pedras e eu impotente ouvia.
O silêncio silencia-me, sinto-me a mergulhar no mutismo, não vou derramar uma lágrima, elas que se derramem por si.
A sequela arrasou-me a mente de tristeza, inconformismo e muita dor.
Deixei de acreditar, deixei de confiar, deixei de sentir. Quero fugir, flamejar-me, vingar-me.
Não me reconheço. Dou por mim a saltear e a tentar tocar o vento com a ponta dos dedos.
Talvez eu tenha enlouquecido!
Ajo por ímpetos. Não penso. Quero de facto desaparecer.
Como débil mental dei por mim numa abadia com telhado de zinco a rezar o meu infortúnio acompanhado pelo choro de alguns anjos perdidos como eu.
Talvez eu esteja mesmo louco!
Irei procurar um cavalo alado e aparelhado em seu dorso irei tentar riscar o céu usando como picador as vozes que me perseguem.
Quero desbravar nuvens de algodão para que a paz invada o meu coração. Coberto pelas tuas asas e corpo alazão, leva-me cavalo, para outro lugar, não me deixes ficar, por favor, leva-me para onde habita o amor, onde a paixão não possa ser volvida como a página de um livro.
Agora só me resta tratar do jardim do meu coração. Jamais lhe quero plantar dores e lágrimas da minha mágoa.
Estou cansado, ele exausto e quebrado em duas partes geometricamente iguais. Uma porção deixou de me pertencer.
Julgo que poderei passar os derradeiros dias da minha existência com a metade que me resta.
Irei plantar-lhe um canteiro repleto de flores coloridas, viçosas e com o odor da realidade.
A partir de agora terei de conviver com a ambivalência da minha alma, com a incoerência dos meus actos, com a fatalidade do nu e abatido destino, com a conspiração do desejo encarcerado no meu corpo em catarse.
A ti, um dia que percebas a minha imperfeição, a tua mácula, e sim, estejas na realidade infeliz, não invadas o meu jardim da forma que o fizeste.
Não esqueças que, agora, apenas possuo uma parte de mim.
Colhe no campo da modéstia uma flor colorida e pinta-a com o tom da certeza, da harmonia.
Dizem não haver amores impossíveis?
Ontem, como nunca, precisava da tua presença, de ouvir a tua voz.
Mesmo sem sorrisos nos lábios, e olhar tristonho seria importante. Mas, o orgulho, o comodismo e obstinação venceram o amor apregoado nos teus quatro cantos do mundo.
Não vieste, não venhas mais!
Quem sabe, se o amor impossível é na realidade o amor verdadeiro e que por ser irrealizável é que o torna tão belo!

2010-01-28

10 comentários:

RENATA MARIA PARREIRA CORDEIRO disse...

Amei! Amo seres que sentem e fazem!

Borboletas para o meu querido primo!!! Beijos Mil***************Rêruivinha


*BORBOLETA
Adriana Calcanhotto

No lago zulu
O casulo de seda
Da larga lagarta
Do corpo de estrela
Virada no vento
Não vai mais rasteira
Terá vida nova
Farfalla ligeira
Farfalla ligeira
borboleta
Farfalla ligeira
Levada na cor
Recorta do ar
O cheiro da flor
Ruído do mar
Mas foge de mim
Na borda da mesa
Ou pousa no prato
De louça chinesa
Farfalla ligeira
Farfalla ligeira borboleta
Farfalla ligeira*

RENATA MARIA PARREIRA CORDEIRO disse...

A QUE PONTO PODEMOS AMAR!
poema da Renata ao primo querido, mais do que merecido
Beijos mil RêRuivinha****************

Emocionar-me perto de ti
Falar delicada e sinceramente
Não me cansar do conforto que me dás
Encher os meus gestos de ternura
Fremir ao contato da tua pele
Não poder ficar sem teu corpo e tua alma
Vibrar uma noite ou uma vida toda
Trocar beijos roubados
Esquecer tudo nos teus braços
Comer os teus olhos de tão lindos
Mas neste momento é sobretudo chorar
Perto do teu sorriso, dos teus braços, de ti
A que ponto podemos amar?
Sem ponto final

PS: Não enxergo quase nada, por causa do diabetes. Os meus olhos eram verdes, agora são negros, porque essa cor me permite enxergar um tantinho. Leio e escrevo com os dedos e enxergo com o coração e faço tudo na hora de publicar. Por isso, fica difícil ler o seus posts. Se puder, me compreenda. E se puder, me desculpe.
+ Beijosssss

AnaMar (pseudónimo) disse...

Há muitas formas de amar.
Um pensador (filósofo?) disse :
"Só desejamos o que não conseguimos possuir".

Algo me diz que ela voltará.
Bj

Luz disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Chris disse...

Gostei de ler o texto, mas acredito que o Amor é perfeito... nós (humanos) somos muito imperfeito.
Um beijo
Chris

Terra de Encanto disse...

Meu querido Sonhador, escritor-poeta das belas palavras que assolam a tua alma...Sabida a cor que te cobre, com o seu manto irreal, como muito bem dizes, eis que me dobro sobre mim própria em silenciosa homenagem. Quem dera fosse, de facto, irreal...Sabes, o branco é a cor (nao-cor?) que te cobrirá, um dia, sob um céu azul onde o sol, apesar de tudo, brilhará no horizonte.
Um abraço.
Ou todos os abraços do mundo.
Susana

Luz disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Sioux disse...

São estes sentidos que assolam a alma que me cobriram ainda com mais esperança de que podemos amar e, que um dia este amor será concretizado mesmo na distância dos corpos, mas sempre na proximidade das almas que jamais irão separar-se se um dia estiveram unidas sob o mesmo manto, o do amor e da paixão.

Beijo sentido

Anónimo disse...

hello


just signed up and wanted to say hello while I read through the posts


hopefully this is just what im looking for looks like i have a lot to read and then a lot to wright

Anónimo disse...

hey


Just saying hello while I read through the posts


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